"O poeta é um fingidor/Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente."
(Fernando Pessoa)

sábado, 17 de dezembro de 2011

A parte que me cabe II


Soube de você ontem.
Difícil descrever em palavras a dor que aperta meu peito.
Impossível impedir que a menor lembrança de tudo o que eu vi não me traga lágrimas aos olhos.
O mundo parece estar encolhendo. Tento em vão procurar um lugar onde me sentir em paz, mas já não tenho chão.

Pois esta é a parte que me cabe: nada.

Talvez, do alto da sua sabedoria, você saiba o que foi feito...
Você provavelmente está realizado em me ver assim.

Deixe o restante ao meu encargo. 
Junto os pedaços. Recolho os sonhos. Guardo os sorrisos. Afogo a esperança.

Ah como eu gostaria de não depender do seu amor!
Como eu gostaria de não chamar de perfeição todos os momentos que passo ao seu lado.
De não sentir minha alma em brasas quando o toque das suas mãos percorrem o meu corpo.

Dor emocional que se converte em física. Meu corpo padece. Minha alma chora.

Então saiba: sua missão finalmente foi cumprida.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Do you miss me?


Quando os primeiros raios de sol beijam seu rosto.
Quando a água do mar toca seus pés.
Quando ouve a música perfeita.
Quando a lua e as estrelas parecem se posicionar estrategicamente.
Do you miss me?
De madrugada, quando o calor percorre o seu corpo.
E você se lembra o que é amar com prazer.
Quando sorri envolto em seus pensamentos.
Quando tem raiva de se sentir assim.
Do you miss me?
Quando não há mensagens secretas.
Quando os poemas perdem o significado.
Quando as canções não fazem tanto sentido.
Quando recorda que já foi feliz.
Do you miss me?
Well, I miss you.
It hurts.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Devolva-me.


Ah amor...
Devolva-me o que a mágoa roubou.
Quero voltar a crer.
Estar nos braços de alguém.
Ter uma música só minha.


Ah amor...
Devolva-me o que o tempo apagou.
Quero andar de mãos dadas.
Reconhecer minha história num romance.


Devolva-me!

Limiar.


Entre o concreto e o abstrato.
O palpável e o intocável.
Já não compreendo se o dia é a realidade,
Ou se minha vida são as noites que divido contigo.

Na fronteira da loucura.

Solidão.

Existe um tipo de solidão que é especialmente mais dolorosa que as outras...
Teu corpo rodeado de pessoas e tua alma vazia.
E te dizem: Olha como o mundo é colorido e feliz!
Mas tu sabes, lá no fundo, que ele é escuro e cinza.
Naquele lugar onde só você mora. Ninguém mais.

Tentas em vão deixar alguém abrir o portão e soltar as tuas amarras.
Mas ninguém é bom o bastante. Ninguém te tocou “daquele jeito”.
Então permaneces só.
Tu e teus pensamentos.
Tu e tua solidão mais dolorosa que as outras.

E não importa quantas vezes te digam que a tua realidade irá mudar.
Tu sempre voltas para o mesmo lugar. Escuro e cinza. Sozinho e triste.

Talvez olhar o mundo sob uma perspectiva pessimista seja a tua armadura...

É... Existe um tipo de solidão que é especialmente mais dolorosa que as outras...

A que escolhemos viver.

Onde a chuva nunca cessa.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Rimas bobas. Bobas rimas.

 Quero escrever
Sobre a história de nós dois
Pode ser vulcão
Pode ser feijão com arroz
...
Quero te falar
Da falta que me faz
Quando perto, acho pouco
Quando longe, quero mais
...
Quero que entenda
Como é amar você
Às vezes é amizade
Às vezes é bem-querer
Às vezes tenho certeza
Que não vivo sem te ver
...
Não preciso estar aqui
Sou livre, sou passarinho
Mas sonho acordada
Me perder em teus caminhos
...
Cortei as minhas asas
Já não quero mais voar
Adormeci nos teus braços
Encontrei o meu lugar
...
Quero escrever
Sobre a história de nós dois
Felicidade agora!
Não depois

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

In.


Insatisfação. Inadequação. Inexistência. Impermanência. Incompletude.
Infelicidade...
Reação? Silêncio.
Ainda que possua o dom da palavra... silêncio!
Insegurança. Incredulidade.
Inércia...
Calo-me e espero progressos?
Incoerente.
Inconcebível.
Insuportável.