"O poeta é um fingidor/Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente."
(Fernando Pessoa)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sujeito.


 
Era sujeito simples. Tão fácil de decifrar... exposta. Sem nada a perder.
Pensava... eu era o próprio verbo.

Acontece que simplicidade não é para mim. Sou complexa. Intensa. Me permiti viver a experiência de ser sujeito composto. Agora, minha ação possuía vários núcleos.
Compreendi o que era felicidade. Breve momento.

Durante algum tempo fui sujeito indeterminado. Minha identidade não explícita.
Período difícil...noites solitárias, intermináveis...

Tornei-me sujeito inexistente. Meus sentimentos e vontades não existiam para o outro.
Aprendi que a tristeza tem um sabor medonho. Sabor de sangue na garganta...travo.

Foi uma jornada e tanto. Tamanha experiência não me preparou para ser o sujeito implícito. O que anda nas sombras.


Eu, sujeita ímplicita...
Sujeita à você...
Das mais variadas formas...
Estado de dependência!
Até quando?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sentidos.


Mãos percorrem meu corpo como se quisessem decorá-lo.
Olhos que parecem me buscar todo o tempo.
Beijos me passam a impressão de querer consumir-me.
Cheiros despertam em mim uma vontade desenfreada.
Sussurros me fazem sentir uma mulher incrivelmente desejável.

Minutos intensos. E tensos. Indubitavelmente tensos.
Estou ávida que esses minutos se convertam em horas.

Tenho sede de você.
Vou te confidenciar meus segredos mais íntimos.
Irei tocar teu corpo e penetrar tua alma.
Meu olhar não vai se desviar do teu um instante sequer.
E meus perfumes ficarão entranhados na tua pele.


Porque dessa paixão quero explorar todos os sentidos.
Até a exaustão.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Resoluções

2010 nos fez par.
Fui criada em cinco. A crueldade deste mundo nos fez quatro.
Éramos três mocinhas. Hoje nossa escadinha só tem dois degraus.
Escolhi viver em três.  Quis a vida que ficássemos em dois.
E para que ficássemos em par se fez necessário vivenciar uma agonia infinita.
Mas enfim, somos pares. E dizem que ser par é melhor. Que traz sorte.
Talvez a sorte venha mesmo, talvez 2011 (que ironicamente é ímpar) nos traga o gostinho do que é a real felicidade.

Porque ser par é ser igual. É poder dividir sem quebrar. 
Fomos iguais na dor, seremos também na alegria.
Dividimos lágrimas, agora dividiremos bênçãos.

Posto isso, faço minhas resoluções de ano novo:
Prometo me dedicar para que os quatro distribuam os melhores sorrisos.
Prometo que as duas mocinhas não vão se separar nunca.
Prometo cuidar para que os dois se amem incondicionalmente e se completem.

Porque 2010 nos fez par.
E sendo pares, permaneceremos lado a lado.
Em busca dessa tal felicidade.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A parte que me cabe.

Soube de você hoje.
Lágrimas obstinadas em sair dos meus olhos. Luta difícil para mantê-las apenas no meu coração.
Uma intranquilidade apertou meu peito de tal maneira, que se tornou difícil concentrar-me na minha existência.
Meu chão estreitou-se. E surgiu uma vontade de estar ao seu lado que aumentava vertiginosamente.
Entretanto, minha participação na sua vida é nula.
Restou-me apenas aprender a dissimular. Arte difícil.
Assim sendo, enquanto minha alma está ávida por notícias suas, aparento simples preocupação.
Enquanto a tristeza fez morada dentro de mim, minha boca sorri o mais falso dos sorrisos.
Pois esta é a parte que me cabe: aguardar, sofrer e representar.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Outro lado.


Sono entrecortado.
Um calor dantesco toma conta do meu corpo.
Minha cabeça está a mil. Está em você.

Tento refazer na minha mente os caminhos que me levaram a gostar de você.
Procuro algum momento onde eu poderia ter dado um basta.
Não encontro.
Não sei o que está acontecendo comigo.
Sei que é errado. Sei que não devo.
Então pra que me entregar assim?
 
Ouvi tantas histórias.
Fiz julgamentos.
Fui preconceituosa.
Nunca imaginei que a vida me pregaria essa peça.

E agora, apaixonada... perdidamente apaixonada!
Dedos em riste, apontando pra mim.
Me pergunto como será minha vida, do outro lado.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Xadrez


Detesto jogos. Me vicio neles.
Prometi a mim mesma parar de jogar.
Contudo, há coisas na vida que se apresentam tão atraentes que resistir torna-se impossível.
Eis que agora já sou peça no tabuleiro.
Jogo viciante. Perigoso.
A cada movimento sinto-me em direção ao abismo.
Mas não quero parar. Não posso e nem vou.
Como será o desfecho dessa partida?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Trilhos

Hoje, olhando uma foto do entardecer na praia...
Não sei como, minha alma se transportou pra lá...
Uma paz de espírito me invadiu 
E esse é bem o meu momento, de paz!
Talvez seja o fato de finalmente eu ter conseguido expressar em palavras
Aquilo que amargurou meu coração durante anos
Talvez seja o fato de eu ter tirado o peso de uma relação das costas
Não sei...

O que sei é que agora me sinto  livre
E me imaginando caminhando naquele entardecer
Posso até dizer que estou feliz
Que estou pronta pra viver meus melhores anos

Na minha viagem, contemplo o horizonte...
Mas na verdade, estou contemplando a minha própria vida
E os trilhos que me fizeram chegar até aqui

Não teria feito diferentes escolhas se pudesse
Não teria escrito minha história com outros versos
Pois a mulher que sou hoje
Nasceu das coisas que aprendi trilhando meu caminho